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Galeria Sergio Rodrigues – Casa Cor ES 2018

Stampa e IAB-ES assinam galeria em homenagem a Sergio Rodrigues na Casa Cor ES

O ambiente, composto por três salas, vai reunir peças ícones do designer brasileiro, contando um pouco da sua trajetória, que se funde com a história do design internacional

Em parceria com o IAB-Instituto dos Arquitetos do Brasil no Espírito Santo, a loja Stampa assina a curadoria da ‘Galeria Sergio Rodrigues’, espaço na Casa Cor que fará homenagem ao renomado designer brasileiro, com a exposição de peças icônicas que marcaram a história do design nacional e internacional.

A galeria será dividida em três salas de 15 metros quadrados cada. O projeto é assinado pelos arquitetos Daniela Caser e Geraldo Lino, ambos conselheiros do IAB-ES. A Stampa fez uma seleção especial de peças do designer. A Primeira Sala, além de trazer na parede uma fala de Sergio, precursor do design brasileiro, que revolucionou a estética no País nos anos 1960, com seu estilo original de formas torneadas e generosas, traz com exclusividade a cômoda Bianca. O desenho original da peça foi esboçado por Sergio Rodrigues em 1993 e relançado em 2005. O aparador tem estrutura em painel de madeira com encabeçamento e gavetas maciças. A peça exposta está na madeira imbuia, seus pés torneados e puxadores em inox com acabamento acetinado fazem de Bianca um mobiliário atemporal.

Duas poltronas Oscar, uma de cada lado da cômoda também são destaque nesta primeira sala. A poltrona, criada em 1956, foi uma homenagem de Sergio ao arquiteto Oscar Niemeyer. A peça tem estrutura em madeira maciça torneada e assento e encosto em palha natural.

Ainda na 1ª sala, mais uma novidade da Stampa, a poltrona Tonico criada por Sergio em 1963 e inspirada na icônica poltrona Mole. A peça, em madeira freijó em linhas retas, assento e encosto revestido em tecido ou couro, é um dos mais importantes desenhos de Sergio e homenageia seu cunhado, Antônio Mattos.

Continuando a rota, o visitante entrará na Segunda Sala que será dedicada à maior criação de Sergio Rodrigues, a icônica poltrona Mole, criada em 1957, uma das mais importantes obras do mobiliário nacional do século 20, responsável por projetar o Brasil no cenário mundial de design. A poltrona, que completou 60 anos de criação no ano passado, surgiu do desejo do designer de conceber um móvel que expressasse a identidade nacional. No começo a poltrona não foi bem recebida. Mas a peça apresentava certa evidência e burlava os padrões reinantes: aos elegantes pés-palito ela apresentou a grossura e robustez da madeira brasileira.  Nesse sentido, Sergio antecipou a “estética da grossura” que, posteriormente, foi a base de alguns movimentos da vanguarda engajada nos anos 60. Hoje, fetiche de decoração, a Mole faz parte do acervo de design do Museu de Arte Moderna de Nova York. Nesta segunda sala, ainda haverá um vídeo mostrando uma entrevista com Sergio Rodrigues.

O banco Mocho (1954), a primeira criação do designer, e o banco/estrado Mucki complementam esse ambiente, em companhia da Mole. Vale lembrar que tanto a Mole quanto o banco Mocho que estarão no ambiente fazem parte da Edição Especial de 60 anos com peças reeditadas do designer com edição limitada lançada em 2017.

Sobre a Mole que estará no ambiente, ela foi fabricada com madeira maciça de Imbuia, a Mole 57 – como foi batizada a edição especial comemorativa – foi produzida segundo o desenho original feito por Sergio Rodrigues em 1957 e tem características singulares que a diferenciam da poltrona reeditada pelo designer no final dos anos 1990 e que até hoje é comercializada no Brasil e no exterior. A produção tem edição limitada a 60 exemplares, possui um selo comemorativo gravado a laser em baixo relevo com aplicação de folha de ouro e numeração de 1 a 60.

Já o Mocho, o banquinho da leiteira de Sergio Rodrigues, também ganhou essa edição limitada com 60 peças feitas em madeira de lei (de Cabreúva, cortada há 20 anos). Ele vem com numeração em baixo-relevo, assinatura de Sergio e teve uma parte da renda doada ao Instituto do designer. A peça exposta é uma raridade, foi a “prova do autor” feita para essas 60 peças serem aprovadas pelo designer.

Para finalizar a rota pela história do designer, a Terceira Sala traz em destaque a poltrona Diz, criada em 2001, e que se tornou um dos clássicos da produção de Sergio Rodrigues. Leve e extremamente confortável, graças à sua dupla curvatura, é fabricada inteiramente em madeira. A peça ganhou o primeiro lugar no 20° Prêmio Design do Museu da Casa Brasileira, em 2006.

Também no espaço, a poltrona Kilin considerada outra obra-prima do designer, batizada em homenagem à Vera Beatriz, esposa de Sergio, que ele chamava carinhosamente de “esquilinha”.  A peça possui desenho arrojado, formas e encaixes da madeira nobre, bem modelada, o couro flutua no ar de forma a moldar e abraçar o corpo. Mais uma referência do designer aos hábitos populares na forma e nos materiais utilizados.

Também neste ambiente, as cadeiras Cantu, Criada em 1958, ela é um clássico do designer, com estrutura em madeira maciça torneada, com assento e encosto em couro natural.

Ao falar sobre o seu trabalho, Sergio costumava dizer que “o móvel não é só a figura, a peça, não é só o material de que esta é composta, e sim alguma coisa que tem dentro dela. É o espírito da peça. É o espírito brasileiro. É o móvel brasileiro”.